Um vôo na busca do imperfeito...

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Sempre gostei de observar os beija-flores, num gesto de contemplação por tamanha beleza e desenvoltura, ao realizarem seu delicado trabalho de pousar de flor em flor.
Vejo também a sua ação cotidiana sob um aspecto dúbio, contraditório... A essência sugada pelo beija-flor ora sugere a sua submersão completa nas propriedades mais íntimas de uma flor. Outras vezes me parece um comportamento libertário... Um nômade a seguir seus instintos na realização dos seus desejos.
É como se eu quisesse traçar um paralelo entre este pássaro e o ser humano. Assim como o beija-flor se nutre da parte substancial de uma planta, nós, muitas vezes, mergulhamos de maneira intensa e incondicional sobre os nossos projetos, sejam eles profissionais, familiares, afetivos... É como se corrêssemos contra o tempo no intuito de conquistarmos objetivos que consideramos fundamentais.
Em outras situações, a característica inconstante do beija-flor nos remete às instabilidades emocionais e afetivas que vivenciamos. Hoje, por exemplo, podemos acreditar que o trabalho dos nossos sonhos trará todas as realizações imagináveis. Amanhã talvez percebamos que somente um bom emprego não é capaz de nos conceder a felicidade que almejamos.
Saímos, então, a pousar de flor em flor a procura de elementos que nos preencham por completo. Mas, confesso que dificilmente seremos saciados inteiramente. A energia que desprendemos nessa busca constante talvez seja o principal sinal a indicar que a felicidade pode ser fruto de acontecimentos previsíveis, assim como também ser resultado de inesperados caminhos, desvios inimagináveis, desconhecidas rotas...
A perfeição tão perseguida funde-se ao IMPERFEITO que construímos no nosso dia-a-dia...