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| 31/07/2007 |
Um Sorriso visitou-me... (I)

O meu instante tornou-se mudo...
Ele quer gritar, esbravejar, mas não consegue.
Quer sair desesperado na rua à busca de algo que deixou partir.
Deixou partir um lindo sorriso...
O sorriso calou-se e se resguardou no mundo onde sempre esteve.
Lá ele poderá voltar a contagiar e iluminar
A todos com seu brilho e leveza.
Deixei o sorriso partir...
Mas, talvez ele nunca tivesse me pertencido.
Passou uns dias por aqui a iluminar
O sol de uma dia frio e cinzento...
Fez surgir uma noite bela num dia improvável...
Despertou os vaga-lumes que se encontravam adormecidos...
Contudo, meus medos e incertezas o machucaram.
Não consegui continuar cultivando-o.
E numa tentativa fracassada de retê-lo em mim,
Simplesmente, fui deixando-o escapar... (continua abaixo)
Categoria: Vida além de mim
Escrito por Érica Neiva às 21h54
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Um Sorriso visitou-me... (II)
Agora talvez seja tarde demais...
Caro sorriso, o meu coração, às vezes, é rondado pela tristeza e solidão...
Sou assim mesmo:
Ora feliz, ora angustiada, ora indecisa...
Mas, você voltará a dançar e cantar, em breve.
Continue espalhando felicidade e ternura a todos!
És sempre muito bem-vindo...
Provavelmente, não sei lidar com a felicidade...
Talvez eu a acolha e depois a machuque sem querer...
Porém, você é um SORRISO
E a sua luz reaparecerá como se nunca tivesse partido.
Talvez um dia eu saiba te guardar pra sempre em mim...
Categoria: Vida além de mim
Escrito por Érica Neiva às 21h53
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| 29/07/2007 |
O Silêncio dos Amigos Fiéis...

http://lava.nationalgeographic.com/cgi-bin/pod/PhotoOfTheDay.cgi?day=05&month=7&year=07
É impressionante o quanto certas músicas marcam determinados momentos em nossas vidas. Os acontecimentos podem ter ocorrido há muitos anos, mas sempre ao ouvirmos aquela composição, os nossos pensamentos são transportados a um outro tempo, a uma história que nos tocou de maneira profunda...
Várias canções marcaram-me intensamente. Cada uma por alguma razão específica. E uma delas chama-se “Clube da Esquina”:
Clube da Esquina
(Milton Nascimento e Lô Borges)
"Porque se chamava moço Também se chamava estrada Viagem de ventania Nem se lembra se olhou pra trás Ao primeiro passo, asso, asso Asso, asso, asso, asso, asso, asso Porque se chamavam homens Também se chamavam sonhos E sonhos não envelhecem Em meio a tantos gases lacrimogênios Ficam calmos, calmos Calmos, calmos, calmos... E lá se vai mais um dia...
E basta contar compasso E basta contar consigo Que a chama não tem pavio De tudo se faz canção E o coração na curva De um rio, rio, rio, rio, rio E lá se vai... Mais um dia...
E o rio de asfalto e gente Entorna pelas ladeiras Entope o meio-fio Esquina mais de um milhão Quero ver então a gente, gente Gente, gente, gente, gente, gente E lá se vai mais um dia...”. ( http://br.youtube.com/watch?v=1-i-2-8XpK4)
Ela conduz-me há um lugar onde vivi há 12 anos atrás. Sobretudo, faz-me recordar de uma cena particular... O banheiro da casa em que morei tinha uma pequena janela que dava para um telhado. Contudo, o que mais me chamava atenção era o pedaço de céu e uma estrada, ao longe, que podia enxergar por meio dessa janela. Contemplava esse cenário, principalmente, aos domingos. Talvez esse dia sintetize a saudade que cerca o coração daqueles que moram longe das famílias.
A estrada que eu olhava, aparentemente, não possuía nada de muito especial. Era bem distante de onde me encontrava. Apenas podia ver as luzes dos carros que por lá passavam. A minha reflexão momentânea indica que talvez eu quisesse avistar o que estava além dos carros, o que se apresentava além daquele caminho... Talvez desejasse juntar todos os pedaços da minha vida espalhados pelos vários lugares em que morei...
Talvez parte da minha vida estivesse nas estradas que precisei deixar pra trás para seguir em busca de alguns sonhos. Esta vida também se dissolveu um pouco nos inúmeros céus que transitei. E aquele céu que via pela janela era apenas um pedacinho do imenso território que eu pretendia habitar...
Posteriormente, vim a povoar um longínquo mar... Um mar que se tornou o mais fiel confessor de instantes obscuros e surpreendentes... Aquele oceano que se perdia, num horizonte tão belo, ouviu um choro de desespero, medo e angústia... Ele sempre esteve presente como aquele leal amigo que nos ouve em silêncio, compartilhando conosco a DOR que parece tão intensa e interminável...
Ao longo do tempo, sempre tive amigos com os quais pude contar... Todavia, compartilhei também da ternura de amigos silenciosos, que estiveram presentes em todos os lugares que percorri. O Céu... O Mar... Eles talvez saibam mais da minha história do que eu mesma, pois conhecem a minha verdadeira essência.
Desde criança, deixei os meus lamentos e as minhas euforias no pó das estrelas que salpicavam o meu firmamento... Somente posso dizer que, desde muito cedo, fui agraciada com a presença de amigos silenciosos, belos e muito fiéis...
Categoria: Vida além de mim
Escrito por Érica Neiva às 15h02
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| 21/07/2007 |
A metamorfose de uma dor...

http://www.sargacal.com/wp-content/uploads/2006/05/180506_1103_1024.jpg
Ouço agora músicas que me transportam a um tempo pretérito; conduz-me a um período que hoje parece um tanto abstrato, semelhante a um sonho que não temos a certeza da sua existência.
O importante é que música me traz uma sensação de alívio, indicando-me estar o passado no lugar devido.
As dores e angústias que me sufocaram naquele período hoje transmitem somente a sutil lembrança de superação dos tormentos que compunham o meu universo.
Bem o sei que ao vivenciarmos situações de tristeza, temos a nítida sensação de que nunca irão acabar. A dor nos toma de maneira profunda e dificilmente conseguimos conceber um epílogo para tudo aquilo.
As feridas da minha aflição demoraram muito a cicatrizar. Sempre que me recordava dos acontecimentos passados era invadida por um sentimento de angústia que causava um espécie de explosão dos meus sentidos. Era bombardeada por cenas de um filme, onde a única personagem era eu mesma, perdida no cenário dos meus pensamentos.
Hoje, contudo, este sentimento sofreu uma linda metamorfose... Ele não mais provoca o típico aperto no peito que me incomodou por alguns anos. Somente tenho a leve sensação de que o que precisava acontecer deu por cumprida a sua missão.
Agora, a música que me trazia conturbadas emoções, simplesmente, toca-me de modo singelo, trazendo-me uma paz surpreendente.
A dor transformou-se e, neste momento, transita por outros territórios. Deixou pegadas quase imperceptíveis, apenas as necessárias para se contar uma história.
Obviamente, acontecimentos recentes provocaram novas dores, que não sei por quanto tempo irão permanecer, até que sigam o seu curso normal... Porém, o necessário é saber que um dia elas se modificarão, serão revertidas de uma nova e esplendorosa roupagem.
Categoria: Vida além de mim
Escrito por Érica Neiva às 10h35
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| 19/07/2007 |
As palavras conceberam o meu mundo...

http://lava.nationalgeographic.com/cgi-bin/pod/PhotoOfTheDay.cgi?day=23&month=4&year=07
E quando me dei conta apenas percebi que havia nascido. Tinha desabrochado para um mundo que nem sempre é justo, igualitário ou acolhedor. O meu olhar apontava para eu mesma a questionar sobre a contribuição que poderia oferecer a este mundo que me concedera a vida.
Então, parei e pensei sobre as qualidades e defeitos que possuía. De tudo isto, certamente, existia algo que pudesse colaborar com o universo de maneira positiva.
Em meio a questionamentos e reflexões, os pensamentos fervilhavam. Inquietavam-me de tal sorte que minha cabeça parecia desejar romper do corpo, numa sensação profunda de dúvidas que necessitavam ser expressas. Elas precisavam vir à tona para que a existência se tornasse mais leve e serena.
Assim, num misto de racionalidade e emoção, sentei-me na escrivaninha sobre a qual pousava uma folha de papel em branco. Toquei aquele papel como se fosse a jóia mais rara de todas, um bem de valor inestimável. Apanhei o lápis e, involuntariamente, pus-me a escrever. As palavras eram despejadas com força e vigor.
A palavra... A partir daí, sentira que esta seria minha inseparável companheira; o meu instrumento para conceber o mundo.
Categoria: Conflitos..Estranhas descobertas
Escrito por Érica Neiva às 22h47
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| 12/07/2007 |
Somente E S T A M I R A...

http://lava.nationalgeographic.com/cgi-bin/pod/PhotoOfTheDay.cgi?day=22&month=9&year=03
Chama-se ESTAMIRA o rosto anônimo que vi. De acordo com o diagnóstico médico, ela ultrapassara o limiar da sanidade sendo, assim, considerada esquizofrênica. Esta mulher, na faixa etária do 60 anos, é personagem de um documentário ganhador de diversos prêmios, dirigido por Marcos Prado.
Se olharmos ESTAMIRA, num primeiro momento, depois de alguns segundos diremos convictamente, Ela é insana. Diante deste impulso talvez desligaríamos o filme e afirmaríamos para nós mesmos, Que roteiro descabido e sem nexo. A nossa atitude preconceituosa, certamente, anularia a oportunidade de sabermos o significado de SER ESTAMIRA.
Se o nosso OLHAR tentasse ver ESTAMIRA, além da sua aparência exterior e da sua possível loucura, seguramente, ficaríamos espantados, deveras boquiabertos com a linguagem comunicada pelos sentidos que seu corpo emana. Se nos despirmos do nosso pré-conceito e discriminação, veremos um ser humano que consegue superar rótulos e quer SER APENAS ELE MESMO.
ESTAMIRA fala tudo que vem à cabeça. Palavras soltas e sem nexo, entretanto, revelam uma estranha sabedoria. É como se o seu suposto estado de transe nos contagiasse e pudéssemos SENTIR A VIDA além do que o nosso meio social e cultural nos possibilita visualizar.
Por trás da esquizofrenia de ESTAMIRA nos permitimos compreender a história de uma vida que, como tantas outras, foi constituída de acontecimentos traumáticos, momentos tão insuportáveis que nos interrogamos sobre a resistência do ser humano a todos aqueles instantes de agonia, impotência e ódio.
ESTAMIRA sobreviveu às piores provas pelas quais uma pessoa pode passar. Porém, ficaram marcas em sua alma que o tempo não conseguiu dissolver; lembranças que o coração teima em não esquecer...
Uma vida povoada de sonhos e esperanças, muitas vezes, não consegue se curar de males que feriram profundamente o seu íntimo. E ESTAMIRA o tempo todo dá sinais de que as perturbações originadas de traumas pretéritos estão sempre presentes nos seus pensamentos e atitudes...
Todavia, não apenas de feridas é composta a vida da protagonista. Há uma sabedoria audaz que, em certos momentos, sentimos estar em contato com um ser dotado de discernimento e bom senso. ESTAMIRA percorre CAMINHOS extremos do espírito humano.
Em determinadas cenas, a sua lucidez chega-nos a assustar, dando-nos a sensação de que apenas os indivíduos considerados LOUCOS conseguem chegar a um ESTADO PURO DE CONSCIÊNCIA DAS COISAS. Apenas os LOUCOS se permitem desnudar-se de todo moralismo, assumindo-se verdadeiramente como SÃO. Mostrando que o aparente equilíbrio das pessoas dotadas de SANIDADE pode ser uma forma de esconder seus segredos mais doentios e obscuros.
Afinal, quem irá contradizer a possibilidade da LOUCURA ser a maior expressão de LUCIDEZ? Quem formulará conceitos tão absolutos garantidores de que a vida não possa ser a MISTURA DE TODAS AS COISAS?
Obs: Site oficial do documentário: http://www.estamira.com.br/.
Categoria: Conflitos..Estranhas descobertas
Escrito por Érica Neiva às 12h24
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| 08/07/2007 |
A Compaixão pela DOR do Outro

http://lava.nationalgeographic.com/pod/index.html
Às vezes, buscamos razões para determinados acontecimentos que nos circundam. Procuramos respostas. Queremos soluções para as tristezas e angústias que inundam a nossa alma. Desejamos ter a certeza de que o sofrimento, os dias longos e as noites eternas irão passar. Os males hão de desaparecer assim como todas as coisas, no universo, seguem o ritmo harmônico das ondas do mar – VÃO E VÊM.
Todos vivenciamos experiências difíceis, conflitos pessoais, familiares. Uns sofrem mais que outros, choram mais, deprimem-se mais... No entanto, todos temos os nossos dramas particulares; histórias que são únicas, ímpares. Talvez até assemelham-se com a de outras pessoas, contudo, nunca são iguais. Ninguém jamais sentirá em intensidade a dor experimentada pelo Outro.
Porém, o nosso respeito e compadecimento com a aflição do próximo poderá nos fazer mais sábios e tolerantes. A compaixão pelo que se angustia, a compreensão pela depressão de pessoas do nosso ciclo de amizades, ou não, deve ser exercitada continuamente. Não subjuguemos essa DOR. Não façamos críticas nem nos mostremos superiores àqueles que sofrem.
Deixemos nossos ouvidos e coração sempre dispostos a escutar o que o nosso amigo tem a dizer sobre a sua tristeza... Não nos mostremos invencíveis como se o problema do Outro fosse menor ou menos complicado que o nosso. Apenas ouçamos o que aquele coração machucado tem a nos falar.
Tente sempre enxergar os sinais emitidos pelas pessoas que precisam de você. Que necessitam somente de um pouco do seu tempo para desabafar e diminuir a angústia que povoa a sua alma.
Exercitemos, pois, o sentimento de AMOR... Daquele que não emite julgamentos ou conceitos sobre o semelhante que padece. Daquele que tem a sabedoria de não estar imune aos acontecimentos dolorosos ou às tragédias do cotidiano.
Não nos achemos superiores por talvez agirmos racionalmente ou de maneira equilibrada frente aos nossos problemas. Devemos, sim, agirmos humildemente. Como aquele que compreende e se sensibiliza com o sofrimento do Outro. Como aquele que precisa apenas ceder o seu tempo e os seus ombros para o Outro desabafar.
Apenas tenhamos um coração disposto a acolher... Braços prontos a abraçar a quem tanto necessita de um forte afago... Olhos preparados pra enxergar que a dor sempre será dor para aquele que a sente. Alma aberta e espírito cordial para darmos, sim, a nossa esperança e o nosso consolo àquele que quer apenas um pouco da nossa atenção.
Categoria: Vida além de mim
Escrito por Érica Neiva às 16h44
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| 03/07/2007 |
A ESPERANÇA quase tocou-me...

http://lava.nationalgeographic.com/cgi-bin/pod/PhotoOfTheDay.cgi?day=05&month=5&year=07
Estava hoje acessando o computador e, de repente, com passos leves, quase faceiros, pousa sobre a tela uma ESPERANÇA. Não sei se os que me lêem compreendem sobre o quê estou falando.
Divago sobre a ESPERANÇA-inseto. Um bichinho verde que, pelo menos no Estado onde moro, é sinônimo de sorte, de coisas boas que estarão por vir.
Nossa! Como fiquei feliz ao vê-la... Mas, não foi um contentamento efusivo ou contagiante. Foi apenas um contentamento coberto de leveza, de uma tranquilidade mansa que reflete sobre as coisas sem precisar nelas adentrar. Uma emoção que não deve ser proclamada aos quatros cantos. Ela somente arrisca um longínquo pensamento sobre vidas que poderão vir a ser.
A ESPERANÇA que me visitou à noite era um(a) filhote. Confesso que, até aquele momento, não avistara bichinho tão jovem.
Quanto à simbologia que ela representa prefiro acreditar no que reza a lenda, ou seja, que trará bons ventos, fluídos positivos, desejos realizados...
Não sei o motivo da ESPERANÇA ter surgido, especificamente, para mim. No entanto, entendo que a vida é composta de fases diversas. Há dias de Luz, outros de Escuridão, alguns onde vivenciamos uma estranha Paz e ainda aqueles em que o sentimento de Tristeza se faz visível em nossa face.
Além de qualquer divagação ou conjectura, o importante é que a ESPERANÇA surgiu. Veio sorrateiramente, de forma tímida, porém, chegou muito próximo(a). Talvez se tivesse chegado a me tocar o ritual perderia toda sua magia e significado.
O verde singelo e doce da ESPERANÇA adormeceu os meus sentidos e levou-me a fechar os olhos na esperança de vivenciar um amanhã mais sereno e tranqüilo.
Categoria: Quero ser apenas SOL
Escrito por Érica Neiva às 09h31
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