Humanos devaneios - UOL Blog
Humanos devaneios

31/08/2007

Respostas ao longe...

http://lava.nationalgeographic.com/cgi-bin/pod/PhotoOfTheDay.cgi?day=28&month=7&year=03

Hoje acordei com menos certezas do que nunca... Tomei um pouco do Sol que chegou, timidamente, e senti uma fisgada de dor ao pensar nas dúvidas impregnadas em mim... Não parei para refletir profundamente. Seria muito exigir isso agora. Somente fui tomada pela sensação do não-saber...

 

À deriva percorro estradas que não têm um destino exato... Olho o horizonte em busca de soluções... Fecho os olhos e deixo que o vento me conduza para alguma direção. Mas, ao abri-los, só tenho um horizonte que me lança questionamentos que não posso responder...

 

Meu olhar se perde, no final do dia, ao ver o Sol despedir-se sem nenhuma esperança que possa consolar-me...

 

Caminho mais um pouco e vejo surgir a primeira estrela... Seu brilho me faz lembrar de tantos outros astros que já admirei em diversos momentos. A luminosidade de hoje, porém, é turva e confusa... Não consegue me guiar a  lugar algum...

 

Chego em casa e, ao abrir o portão de entrada, sinto um dor um pouco mais latente...

A minha vida, neste instante, é um quebra-cabeça que não consigo montar. Não sei onde está o começo de tudo...

 

Sento-me e ponho a mão direita sobre o queixo, como se estivesse a contemplar o que se faz incompreensível...

 

Tudo mudou em volta...

 

Suspiro e tomo um copo com água... Olho para minhas mãos e percebo que elas não são mais tão jovens. Contudo, gosto de admirá-las num gesto que exprime a convicção de se ter apenas o próprio corpo.

 

A cabeça necessita de um travesseiro e os pensamentos desejam somente um sono tranqüilo...

 

Meus olhos cansados aos poucos se fecham... Posso enxergar o meu mundo de pernas para o ar cedendo espaço a uma nova vida que precisa nascer...


Categoria: Boca amarga; olhos cansados
Escrito por Érica Neiva às 10h23
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28/08/2007

A paz sopra levemente...

http://lava.nationalgeographic.com/cgi-bin/pod/PhotoOfTheDay.cgi?day=21&month=8&year=04

Um pedaço de mim dança no escuro ao som de uma música ligeiramente conhecida... Ele contorce-se e digladia contra si próprio, buscando um instante de exaustão capaz  trazer-lhe paz.

 

Cada passo busca salvá-lo da inquietação que rompeu limites, invadindo-o bruscamente...

 

Os movimentos sinalizam o desespero de um corpo que deseja vir à tona, acordando de um pesadelo confuso e intrigante... E quem sabe, assim, alcançar a redenção contra tudo aquilo que provoca  angústia e  medo ...

 

Os pés cansados esforçam-se mais um pouco; não querem finalizar o movimento que tranqüiliza uma alma sedenta de respostas...

 

Quando a dor atinge as pernas de maneira insuportável, a respiração ofegante só consegue vislumbrar o sonho de caminhos possíveis, os rastros de uma vida a lutar contra si mesma desejando alcançar um tesouro perdido...

 

A felicidade não pode estar tão distante assim...

 

O coração quase sem fôlego fecha os olhos e se recorda de um lugar especial, onde o medo não é capaz de alcançá-lo... A lembrança da infância faz-se forte e singela.

 

Um sopro de paz percorre todo o SER...


Categoria: Vida além de mim
Escrito por Érica Neiva às 13h42
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25/08/2007

Vários rostos... Inúmeras cores...

http://news.nationalgeographic.com/news/2006/08/060804-ice-cloud.html

O arco-íris apareceu numa ponta de céu... Meu olhar fitou-o de relance, surpreendido...

 

Pensei na minha vida involuntariamente... E tive a impressão de que o encantamento de instantes inusitados fizeram-se presentes em certos momentos...

 

Família, amigos, amores, desconhecidas existências... Rostos estranhos, suaves, meigos, taciturnos, levemente felizes ou possuidores de uma singela tristeza... Pessoas e coisas chegaram, partiram ou mesmo permaneceram.

 

Cada semblante traduz uma descabida sensação de que tenho várias VIDAS... Cada uma destas desperta ou adormece sem que eu perceba racionalmente.

 

Mas, há um tempo em que as vidas se misturam e não consigo distinguir os limites capazes de assegurar um pouco de sobriedade. Transformo-me no CAOS, na bagunça do reflexo de várias existências e o contraditório sentimento de ser despida de qualquer história...

 

Apenas sei que o arco-íris surge quando menos esperamos... Talvez compreenda que algumas pessoas precisam dizer adeus e outras necessitam ficar ao nosso lado somente enquanto queiram deixar-se estar...


Categoria: Conflitos..Estranhas descobertas
Escrito por Érica Neiva às 14h52
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22/08/2007

Sou camaleônica...

http://lava.nationalgeographic.com/cgi-bin/pod/PhotoOfTheDay.cgi?day=11&month=2&year=05

Vi o meu sorriso bobo

Refletido num preguiçoso sol de inverno.

Tentei impregnar-me

Com os poucos raios que pude alcançar.

 

O brilho da estrela era tímido

Mas atraía os meus passos saltitantes.

O meu olhar em direção ao horizonte

Brincava com o céu que se fazia pleno.

 

Imaginei que a plenitude podia ser

O sol e o céu acolhendo-me

Com um meigo e doce sorriso.

Um dia queria ser SOLCÉU a serenizar

Olhares que procuram por um pouco de paz...

 

A vida naquele instante pareceu-me leve

Como se a tristeza jamais tivesse surgido em outro tempo...

 

Uma parte de mim nascia

Orquestrada por sons ofertados pela natureza.

 

Eu não era boa ou má...

Apenas era uma mulher que desejava eternizar

Um dia de inverno...


Categoria: Quero ser apenas SOL
Escrito por Érica Neiva às 17h48
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19/08/2007

Embriagada Vida

http://lava.nationalgeographic.com/cgi-bin/pod/PhotoOfTheDay.cgi?day=01&month=7&year=07

   Os olhos atravessam um errante deserto
   Perdendo-se na imensidão infinda da vida
   Onde as certezas naufragam
   E o incerto parece ser o mais harmônico.
   Chora-se perdendo a noção do porquê
   E naufraga-se numa sensação de loucura iminente.
   A vontade busca o nada,
   Apenas vislumbra um horizonte cinzento
   A cena de um coração angustiado
   Perplexo de dúvidas remotas,
   Afogado na insensatez permanente.
   Olha-se...
   Os questionamentos embriagam-me
   E me sinto submersa num pânico
   O pânico do não-ser.
   Os sentimentos misturam-se...
   Quero sair lá fora
   Sentir o vento no rosto
   Tendo a eterna sensação do não-viver.


Categoria: Conflitos..Estranhas descobertas
Escrito por Érica Neiva às 12h40
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13/08/2007

O anonimato de palavras quase mudas...

http://lava.nationalgeographic.com/cgi-bin/pod/PhotoOfTheDay.cgi?day=10&month=7&year=07

 

Perdida  no tumulto de aflitos pensamentos e perguntas sem respostas...

 

Nesse momento a noite fria com o vento forte vagam pelas ruas do meu coração... Apenas as incertezas fervilham numa cabeça absorta pelas dúvidas e medos.

 

Nada chega tão certo quanto o desejo de dormir um sono mais prolongado que o de costume. Mas, ao acordar, talvez nada tenha mudado... Os olhos percorrerão o silêncio de um socorro que grita na escuridão do amanhecer.

 

Às vezes, preciso fazer um ilimitado esforço para tentar compreender como se vive... Apenas sinto coisas que tento aproximar o máximo possível do meu cotidiano.

 

Para mim,  ter uma vida beira o estranhamento e a incapacidade de seguir os passos marcados pelos outros...

 

Desejo somente sentar num pedaço de chão coberto por um sol a pino. Daqueles que fazem paralisar qualquer fagulha de reflexão ou racionalidade...

 

Apenas me deixar não ser coisa alguma... Não quero ser denominada nem mesmo sentir vestígios de certezas previsíveis, que expliquem o  que não almejo saber.

 

Agora talvez as palavras não devessem possuir mérito nenhum...

 

É provável que essas palavras tropecem no árido caminho de pedras e desilusões. Elas não pretendem ser vistas ou tocadas, nem tampouco se transformarem em antídotos para a cura dos males...

 

Devo fingir que as palavras jamais existiram ou amortizaram a dor de uma vida que não consegue SER.

 

Somente busco trilhar caminhos desconhecidos que não me façam lembrar de coisa alguma...

 

Quero desaprender a olhar o mundo com olhos de cristal...


Categoria: Vida além de mim
Escrito por Érica Neiva às 21h13
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10/08/2007

O momento fez-se simples e levemente feliz...

http://lava.nationalgeographic.com/cgi-bin/pod/PhotoOfTheDay.cgi?day=05&month=8&year=07

Hoje o dia foi um pouco diferente. Diria que talvez extremamente peculiar. Não houve motivo aparente ou fato relevante para que isso acontecesse...

 

Independente de causas ou motivações, o importante é que fui agraciada com um dia levemente doce, com instantes respingados de um sutil colorido, um sol timidamente risonho e um início de noite salpicado com o brilho feliz-melancólico de pacíficas estrelas...

 

Nossa... Senti-me plenamente presenteada pelos simples e tenros sentimentos, que a vida sob uma aparente não-pretensão, decidiu me conceder... É aquela sensação de não se esperar por algo que, de repente, faz-se...

 

Mas tudo veio de maneira espontânea, meio swingada; mergulhada numa gostosa malemolência. O sorriso surgiu tal qual uma suave brisa, que vai chegando a passos lentos, e toca-nos sob a melodia de um sorrateiro desejo...

 

E, assim, o dia cedeu lugar a um delicioso anoitecer...

 

O meu agora se faz despretensioso, orquestrado por uma meiga canção...

 

Somente sou tocada por uma leve sensibilidade intuitiva,  que sinaliza não ser necessário compreender a vida, para que ela realize os seus surpreendentes e singelos milagres...


Categoria: Quero ser apenas SOL
Escrito por Érica Neiva às 19h36
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03/08/2007

Agora só o silêncio importa...

http://lava.nationalgeographic.com/cgi-bin/pod/PhotoOfTheDay.cgi?day=30&month=7&year=07

Os pensamentos amanheceram espalhados pelo chão. Todos soltos e desordenados a vagarem por um vazio repleto de angústia e medo... Assemelham-se a inúmeras folhas de papéis soltas levadas pelo vento. Saio correndo na tentativa de pegá-las uma a uma.  Meu passo traduz uma mistura de desespero, força e incertezas...

 

Quero correr, correr... Até que o meu corpo se canse e caia de exaustão. Até que o meu espírito se sinta vazio de tudo aquilo que o atormenta e os meus olhos se percam no lindo horizonte ao meu redor, trazendo um pouco de esperança e tranquilidade ao meu coração aprisionado à dor...

 

E, assim, quem sabe o meu universo se faça menos trôpego e estranho... As minhas dúvidas espalhadas pelo chão talvez se transformem em questionamentos mais leves e amenos...

 

Sempre quis acreditar que, à medida que o tempo passasse, povoar o mundo se tornaria mais simples pra mim... Isso não aconteceu...

 

Mas tenho a felicidade boba de saber que momentos de incertezas são sempre seguidos de uma espantosa calmaria. É quando o mar do nosso coração aquieta-se e é cercado apenas pela mudez de ondas...


Categoria: Boca amarga; olhos cansados
Escrito por Érica Neiva às 10h54
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