Doce lembrança...

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Não deixei o seu vulto partir...
Vivo os meus dias, mas você, muitas vezes, chega sorrateiramente. Quando me dou conta as cenas vividas e recriadas pelo tempo e pela imaginação vêm à tona.
Gosto de me lembrar de você simplesmente pelo fato de saber que algo bom aconteceu.
Estou aqui envelhecendo, e não posso compartilhar as sensações estranhas e surreais que batem à minha janela. Agora mesmo passou um homem catando os restos do lixo da coleta que fica em frente ao meu apartamento. Até que ponto a solidão dele se assemelha à minha?
É Luzia... Você partiu e eu estou aqui... Às vezes tão boba e triste; outras, determinada e sonhadora...
Em muitos instantes, preciso me transportar à tua fazenda e te imaginar ao meu lado! Tão doce, forte e triste... Uma parte de mim não pelo sangue, mas por um sentimento que a morte não destrói.
Continuo a remexer nas nossas lembranças. Sempre clamando que você me envie fagulhas de luzes, resquícios de paz...

Escrito por Érica Neiva às 00h16
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