Humanos devaneios - UOL Blog
Humanos devaneios

29/11/2009

A vida continua em campos mais tranquilos...

 

Há três anos meu avô partiu e escrevi o seguinte texto no Blog (http://humanosdevaneios.zip.net/arch2006-12-01_2006-12-31.html#2006_12-18_19_19_16-100313059-0):

Não sei escrever um verso que combine. Não sei falar sobre quem não é mais, quem se foi...

Não se despediu, apenas partiu sorrateiramente, dando a impressão de que sempre estará ali...

A ausência torna-se presença. Na memória, as recordações; lembranças que não se dissolvem com o não-ser.

Não disse adeus... Fica-se subtendida uma ideia de existência; apenas pensamento vago e lento...

Deixa-se viver para que depois um dia, não se sabe ao certo quando, a vida torne-se apenas resquício de saudade... Uma dor no peito que se transformará na esperança de outras vidas que irão chegar.

 

Na quinta-feira passada, dia 26 de novembro, o meu primo morreu e até hoje não sei o que escrever... Entrei no editor do blog algumas vezes, mas no máximo meia dúzia de palavras saltou à tela. Então esperei que os dias passassem, mas o vazio impede que reflexões brotem...

 

Ele tinha apenas 35 anos, três filhos, uma esposa, um trabalho e, certamente, tantos sonhos para realizar. Ao contrario do texto que escrevi pensando no meu avô, não consigo abstrair ou aprofundar meus pensamentos agora.

 

É o susto diante de um homem que até pouco tempo um menino, talvez não tenha pensado em momento algum que o seu destino seria tão trágico, triste e inexplicável... O jovem trabalhador que tinha na TERRA o seu sustento talvez não imaginasse que fosse “devorado” por ela, pelos instrumentos que usava cotidianamente.

 

Só quero pensar que o seu espírito está em paz, plantando sementes, flores e frutos em campos tranquilos e serenos...

 

A foto acima mostra a terra que o viu nascer, crescer... deu-lhe o pão de todos os dias... foi cuidada, adubada, regada e plantada pelas suas mãos...

 

Mãe Terra, protega a todos que sofrem e não encontram explicação para a não-vida!


Escrito por Érica Neiva às 23h34
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23/11/2009

 
 

Restam-me as MARCAS...


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photo-of-the-day/barley-new-zealand-pod.html

Outro dia estava na dermatologista e havia duas senhoras na minha frente conversando. Como quem nada queria, acabei prestando atenção no diálogo por alguns motivos. Elas falavam sobre plásticas no rosto, botox, e outras técnicas modernas de tratamentos que possibilitam retirar ou diminuir as MARCAS da face.

Sabe... Não tenho nada contra tratamentos estéticos, desde que a pessoa realmente queira aquilo de verdade, com o objetivo de satisfazer a si mesma. Infelizmente, muitas estão PRESAS às convenções sociais e indústria do consumo que “endeusam” e propagam a juventude do corpo acima de tudo.

O que me deixou intrigada foi ouvir e refletir posteriormente sobre a expressão “RETIRAR AS MARCAS”. Embora eu tenha 31 anos e não tenha atingido a essência da maturidade trazida pelo tempo, fiquei um pouco perplexa e desapontada...

Quando falamos em MARCAS, lembramos de fatos, momentos e histórias MARCANTES. Claro que não são apenas recordações positivas, uma vez que a vida é uma COLCHA DE RETALHOS e nela diferentes coisas podem acontecer contribuindo para nosso crescimento, mesmo que o amadurecimento seja por meio da DOR.

Achei estranho o fato de aquelas senhoras quererem retirar suas MARCAS por meio de cirurgias estéticas. É como se estivessem retirando também parte dos momentos que MARCARAM suas vidas. Obviamente sei que este é um procedimento externo e que o interior daquelas mulheres pode continuar INTACTO mesmo após 50 cirurgias. Mas me chocou o fato de ser tão natural e comum tornar PSEUDO-INVISÍVEIS AS MARCAS QUE O CORAÇÃO NUNCA ESCONDERÁ, MESMO QUE TENTEMOS CAMUFLÁ-LAS...


Categoria: Vida além de mim
Escrito por Érica Neiva às 23h16
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17/11/2009

 
 

Doces e familiares SONHOS...


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photos/life-color-green/green-bicycle-guariglia.html

Gosto de comer Sonhos... Tiro um pouco do açúcar da sua superfície e saboreio a imagem de uma infância, no interior da Bahia, há mais de 20 anos...

Lá na minha cidade chamávamos uma pequena mercearia de “venda”. Assim dizia-se:

- Menina, vá comprar pães e sonhos para o café na “venda” da esquina.

Calçava as sandálias e ia buscar os maravilhosos Sonhos. Sonhos simples sem nenhuma sofisticação, além da massa frita passada no açúcar. Naquela época não tirava o excesso de açúcar (rsrsrs...), muito pelo contrário, quanto mais doce mais adorava saboreá-lo.

O primeiro dono da venda era conhecido com “Seu Nilo”, um senhor baixinho, calvo, muito solícito e amável. Após sua morte, um rapaz mais jovem chamado Miguel assumiu o negócio. Ainda continuei por um bom tempo comprando Sonhos naquele lugar.

Hoje Miguel tem um supermercado de porte médio na mesma cidade e eu não mais vivo lá...

A “vendinha” do Sr. Nilo não mais existe e não mais perambulo pelas saudosas ruas da minha infância e adolescência, exceto em SONHOS, pensamentos e devaneios...


Categoria: Um coração quase tranquilo
Escrito por Érica Neiva às 23h19
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15/11/2009

 
 

UM OLHAR SEMPRE PRESENTE...

Sempre adorei olhar por cima dos telhados... Buscar uma vida que está além de mim.

Quando era criança ficava por longos períodos, deitada no chão da sala da minha casa, perseguindo  vestígios de horizontes deixados pelo Céu...

Hoje o tempo passou, mas ainda adoro ver o Céu de várias formas - por cima das portas e janelas, na sua amplitude a se perder de vista, na sua claridade e escuridão, na sua forma de oferecer e recolher as vidas que passeiam pelo planeta...

O Céu é uma divindade que me faz sentir o BEM e o MAL... Sou um pouco de cada uma dessas forças. Sou a imperfeição buscando uma perfeição que nunca vem. Sou uma essência a refletir minha incompletude.

Na verdade, sempre quis ser uma nuvem que povoa o Céu ousando ser LIVRE, voando pelos espaços despretensiosa e vazia... Vazia-Cheia de Amor e Dor... Suspiro pela incompreensão que me faz sentir plena, caótica, absorta...

- Céu! Anseio por você a toda instante que ouço a respiração e coração dizendo que a vida é uma grande brincadeira e uma louca tragédia...

SIGO RASTROS DE NUVENS... OLHO-ME NO AZUL QUE SE PERDE...


Categoria: Um coração quase tranquilo
Escrito por Érica Neiva às 19h06
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13/11/2009

 
 

Lágrimas que trazem a paz...

 

Há o trecho de uma música da Marina Lima que diz: "às vezes eu quero chorar, mas o dia nasce e eu esqueço..."

Hoje não pude nem tampouco consegui conter minhas lágrimas. Não quis camuflar ou engolir a minha dor...

É impressionante o quanto é difícil para as pessoas falarem o que pensam. Os que tentam ultrapassar essa barreira são mal vistos, censurados...

Talvez dizer a verdade e ser honesto consigo mesmo e com os outros não é tão "politicamente correto" quanto sustentar mentiras, hipocrisas e convenções... A sinceridade é uma afronta contra os que preferem criar uma redoma a enfrentar a realidade criticamente.

Tenho que aprender a não sofrer com tudo isso... Tenho que aprender que o universo de "verdades e mentiras" sustentam vidas inventadas que querem, ou acham mais cômodo, distanciarem-se das mazelas e complicações do mundo.

Apesar de sofrer com tudo isso, não vou mudar o meu jeito de SER e agir para fazer parte de um mundo que não é meu, para pertencer aos clãs da conveniência e hipocrisia.

SOU ASSIM... ACREDITO APESAR DE TUDO... FALO APESAR DAS CENSURAS SILENCIOSAS... BRINCO APESAR DOS MEDOS E CORRENTES... SOU COMO TANTOS QUE NÃO QUEREM PERDER A ESSÊNCIA DOS SENTIMENTOS....


Categoria: Boca amarga; olhos cansados
Escrito por Érica Neiva às 17h55
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05/11/2009

 
 

Dias distantes...

Há algum tempo não escrevo por aqui... Minhas palavras parecem intransponíveis, talvez estagnadas num lugar desconhecido. Às vezes tento gritar, achá-las, mas o esforço parece inútil.

No post anterior recebi um comentário muito gentil da Ana Maria perguntando se eu não tinha escrito mais... Na verdade, Ana, parece que os meus pensamentos estão estéreis. Sinto a angústia de quem precisa ultrapassar o próprio mundo, mas a janela encontra-se fechada.

Quem sabe o ensaio destas palavras me faça transpor a sombra perplexa do meu corpo nos finais de tarde...

Obrigada pelo comentário Ana, pela voz que soou amiga e carinhosa num momento em que as minhas palavras são quase mudas. Mas, como o tempo é o vento que toca o meu rosto e me faz sentir viva, se ainda houver algo em mim para ser dito, cedo ou tarde irá ecoar como uma música leve e suave, ou quem sabe turva e mórbida...


Categoria: Vida além de mim
Escrito por Érica Neiva às 23h10
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