Humanos devaneios - UOL Blog
Humanos devaneios

26/10/2010

Esperança submersa...


http://photography.nationalgeographic.com/photography/?source=NavPhoHome

As ruas eram um amontoado de carros, prédios, rostos perambulando... O ciclo da vida trazia sentimentos obscuros, eufóricos, incertos... Os pensamentos não tinham qualquer concatenação, a boca sedenta degustava o amargor misturado à glória de dias que se perdem.

A rua agora é escura. Ninguém povoa seus caminhos, exceto a torta sombra de um corpo vagando em busca do desejo decadente, da esperança desfeita... Os olhos não se fixam em horizonte algum, amedrontados apenas correrem, distanciam-se da essência almejada em outros tempos...

O corpo cansado perde-se na estrada... Quase não vejo a sua imagem... Mas, ao fechar os olhos com bastante força, vislumbro a trôpega sombra que clama por um resto de esperança...


Escrito por Érica Neiva às 18h41
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25/10/2010

Olhos atentos, tesouro desconhecido...


http://animals.nationalgeographic.com/animals/photos/eerie-animals/

Para chegar à estação do metrô pego um atalho... Um atalho sem pavimentação onde mora uma coruja. Isso mesmo. A coruja fica numa ribanceira no alto do caminho. Acho que protege algum ninho, guarda um tesouro com extrema devoção e cuidado. Admira-me a disciplina do animal vislumbrando um momento que atravessa o presente e se confude com um futuro previsível...

Ao passar pelo atalho os meus olhos procuram o alto da ribanceira, buscam a esperança no cotidiano, nas pequenas ações que embora mecânicas e repetitivas sempre são surpreendidas por algo novo. Quando menos esperamos, somos presenteados com a presença elegante e firme de uma coruja guardando o seu tesouro, espantando os seus males...

Meu coração bobo se dirige ao metrô... A cabeça atônita percorre os trilhos de uma vida longa...


Escrito por Érica Neiva às 19h44
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20/10/2010

Escuridão quase lúcida...


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photos/life-color-red/?source=fophotofeat1#/red-oats-taylor_1508_600x450.jpg

Os olhos passam pela janela... A boca procura o espaço mais improvável para sentir o gosto amargo que, às vezes, soa como um antídoto para os males que nunca se tornarão bem... Males que não necessitam de nenhum tipo de exorcismo ou salvação. É um sentimento inato, tão próprio e característico que chega a ser necessário para uma maior clareza, um discernimento das feridas necessárias para se manter viva...

A escuridão de um dia acinzentado e mórbido me faz relembrar dos quartos escuros que povoei, das janelas que deixei de abrir, da luz interrompida por pensamentos tristes e melancólicos... Nada foi em vão... O desalento mais profundo, a angústia draconiana apenas foram remédios para a loucura se revestir de um pouco de lucidez, para a luz se misturar a imagens de sombras...

Nem boa nem má... Uma mulher vestida de pijama em frente ao computador pensando que todas as lembranças um dia serão poeira de um caminho que deixa marcas, de uma vida trágico-cômica...


Escrito por Érica Neiva às 14h39
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12/10/2010


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photos/patterns-nature-trees/#/quaking-aspen-trees_1497_600x450.jpg

No último post disse que faria uma caminhada... A noite estava nublado, mas a chuva havia cessado. O ar  leve me fez respirar melhor e tranquilizar os pensamentos. Como a chuva tinha sido acompanhada de ventania havia vários galhos e, inclusive, algumas mangas caídas no chão. A sensação de liberdade e  recomeço deixam o coração mais sereno, esperançoso... E para um cenário ainda mais propício encontrei uma coruja pelo caminho. Seus olhos chegaram tão perto que, naquele instante, fiz deles os meus. Aquela força e equilíbrio, por um breve instante, seriam minhas... Assim como seria minha a certeza de que os sonhos estão cravados em mim...

O passeio no Parque fez lembrar das longas caminhadas que fiz quando criança e adolescente nas fazendas dos meus avós na Bahia. Andar naquelas terras era pisar um terreno firme, macio, mas repleto de conflitos, angústias e medos... Era como saber que o desconhecido marcaria minha vida e me traria o tesouro da dúvida. Pedalava a bicicleta e percorria aquelas terras que pareciam infinitas e embuídas da magia que costuma povoar a cabeça de uma criança... Conversava com tudo que encontrava na estrada -  árvores, céu, troncos, pássaros... Desejava apenas pedalar, pedalar... Até que o cansaço tomasse conta e os pensamentos desvanecessem, trazendo a SOLIDÃO que antecede a PAZ de espírito...

Hoje parte das terras dos meus avós foram vendidas e a outra é motivo de brigas e discórdias familiares... É uma pena que um lugar de tantas lembranças significativas seja um cenário triste, rancoroso, um verdadeiro campo de batalhas...

Talvez as ventanias deem lugar a um ar calmo, capaz de desarmar os corações e trazer liberdade à alma...

 


Escrito por Érica Neiva às 22h47
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06/10/2010


http://animals.nationalgeographic.com/animals/bugs/ant/?source=A-to-Z

A tarde está chuvosa, trovões soam entre os apartamentos onde moro... Talvez a tarde ideal para escrever um texto inspirador... A minha cabeça, contudo, não consegue se fixar em pensamento algum... Enquanto a utópica inspiração não chega, "desfiemos um colar de inquietações"...

Hoje uma colega de trabalho, lendo uma matéria do jornal local (http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/10/06/cidades,i=216715/ENTIDADE+DE+APOIO+A+PORTADORES+DE+HIV+SOLICITA+DOACOES+PARA+O+DIA+DAS+CRIANCAS.shtml)pediu a minha ajuda para escrevermos um pequeno texto e encaminharmos a todos os colaboradores da empresa onde trabalhamos. O objetivo é arrecadar brinquedos e calçados para crianças e adolescentes portadores do HIV. O que mais me chamou atenção é o fato de muitas pessoas estarem precisando de tão pouco. Na correria diária, muitas vezes, esquecemos de agradecer não apenas as nossas conquistas, mas a obtenção dos recursos básicos necessários à sobrevivência.

Na instituição relatada, as pessoas não têm listas quilomêtricas de aspirações. Elas precisam apenas do direito a uma vida digna... Penso que em momentos assim devemos esquecer se este é, ou não,  um papel do Estado. Talvez seja melhor nos imaginarmos formiguinhas que têm na disciplina e coletividade forças essenciais para a continuidade da espécie.

Bem... A chuva está passando. Talvez eu caminhe um pouco e respire o ar mais leve que sucede os temporais...


Escrito por Érica Neiva às 17h54
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03/10/2010


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photo-of-the-day/starry-sky-washington/

As ruas da cidade onde nasci estão repletas de cheiros, vozes e barulhos da minha infância... Hoje o asfalto cobre o antigo calçamento de pequenos tijolos... Quando a chuva toca a minha terra a esperança renasce e os olhos dos meus conterrâneos revestem-se de um brilho vital. O cheiro de chuva representa a vida tocada por um sentido visceral, singelo...

As crianças daquela época adoravam sentir os primeiros pingos que aos poucos alagavam as ruas, transformando-as em rios urbanos. Meus pais não me deixavam sair para tomar banho, mas podia me contentar com a chuva molhando o corpo no quintal de casa.

Adorava balançar as galhas da romãzeira, que existe até hoje na casa dos meus pais, e sentir após a ida da chuva, suas gotas percorrendo meu rosto e atingindo os lábios...

Quero sempre beber a água que traz a felicidade de outros tempos...


Escrito por Érica Neiva às 23h14
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