Busco uma cura sem rosto...

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Não sei escrever uma história... Por vezes penso que isso traria a minha perseguida salvação...
PALAVRAS... Talvez essas fossem capazes de desvendar além das insanidades ou subterfúgios.
A escrita poderia vir como um redentor e tranqüilo sono. Há quanto tempo anseio por um descanso apaziguador que me traga apenas simples SONHOS... Sem pesadelos, labirintos, perseguições ou toda sorte de aflições e angústias...
Talvez seja muito pedir por um sono sereno. Talvez esteja a implorar por algo que nunca será meu... É um sonho quase impossível, senão fosse pelo forte desejo que tenho da paz tomar o meu espírito.
Luto contra um eu quase desfalecido que me tortura e procura na escrita um antídoto, quiçá um paliativo...
Apenas preciso de algo que me dê a esperança de uma vida emprestada. Mas, de nada adianta. Uma vida emprestada pode soar falso. Seria um fingimento, onde a mim caberia somente o papel de algoz.
Não suportaria o peso da culpa... Não iria tolerar olhares sobressaltados a me condenar...
Não posso purificar o sangue que corre em mim. Nem o nascer de novo permitiria me livrar dos fantasmas, vultos, rostos, expressões...
A minha cura é mais uma vez protelada. Torna-se indiferente e tardia...
Meus olhos apenas se fecham na leve esperança de contemplar um sono tranqüilo...