Humanos devaneios - UOL Blog
Humanos devaneios

Vida além de mim

28/03/2010

 
 

Vida que segue...

São os últimos dias que vejo a rua por esta janela... Ouço o barulho dos carros e penso que mais de dois anos se passaram nesta casa que me trouxe muita felicidade. Na verdade é um apartamento e não uma casa. O fato de ter morado boa parte da vida em casas me faz adotar este nome para outras construções. Enfim... O importante foi tentar transformar todas essas moradias em lares. O Lar do Amor, Aprendizado e Sabedoria. É claro que nem todos os dias são felizes nem mesmo bem-vindos, mas são necessários para construirmos o dia a dia de que são feitas nossas vidas...

As minhas plantas ainda estão sob a janela, mas, em breve, irão enfeitar outras janelas. Adoro a possibilidade de mudança. Guardo todas as experiências e sentimentos no coração, no entanto, a expectativa de viver novas sensações e momentos me deixam mais sonhadora do que sou...

Creio que as minhas plantas vão se adaptar bem ao novo apartamento, pois lá terá maior luminosidade e espaço para crescerem... É uma pena que ainda não poderei plantar coqueiros, bananeiras, mangueiras... Meu marido falou que para ter tudo isso preciso de um sítio... Não importa... O essencial é continuar sonhando com todas estas árvores que um dia terei no quintal de casa (rsssssssss...).

Minha vida é um filme que não canso de escrever, reescrever... Sei que tudo valeu e vale a pena.


Escrito por Érica Neiva às 20h04
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31/01/2010

 
 

Doce opaco, vida titubeando...


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photo-of-the-day/bread-seller-malawi-pod/

O doce está além do chão, paira muito além das nuvens cor de chumbo... Ponho minha língua para sentir as gotas de chuva que caem como uma salvação disposta a tocar meu corpo e aliviar os conflitos do coração...

A chuva escorre, levando por um minuto as incertezas, o medo e as expectativas de um futuro quase oco...

O olho se fecha durante um tempo que parece eterno, dissolvendo as mazelas cimentadas na alma.

Sou apenas um rosto anônimo... Ninguém jamais verá as minhas pegadas no chão nem tampouco derramará uma lágrima pela miséria dos meus dias...


A chuva e o doce se confundem na minha boca... Aos poucos o céu se torna límpido e leve... Piso nas nuvens como quem deseja alcançar o mais profundo mistério, a mais dissonante vida...


Escrito por Érica Neiva às 17h38
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23/11/2009

 
 

Restam-me as MARCAS...


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photo-of-the-day/barley-new-zealand-pod.html

Outro dia estava na dermatologista e havia duas senhoras na minha frente conversando. Como quem nada queria, acabei prestando atenção no diálogo por alguns motivos. Elas falavam sobre plásticas no rosto, botox, e outras técnicas modernas de tratamentos que possibilitam retirar ou diminuir as MARCAS da face.

Sabe... Não tenho nada contra tratamentos estéticos, desde que a pessoa realmente queira aquilo de verdade, com o objetivo de satisfazer a si mesma. Infelizmente, muitas estão PRESAS às convenções sociais e indústria do consumo que “endeusam” e propagam a juventude do corpo acima de tudo.

O que me deixou intrigada foi ouvir e refletir posteriormente sobre a expressão “RETIRAR AS MARCAS”. Embora eu tenha 31 anos e não tenha atingido a essência da maturidade trazida pelo tempo, fiquei um pouco perplexa e desapontada...

Quando falamos em MARCAS, lembramos de fatos, momentos e histórias MARCANTES. Claro que não são apenas recordações positivas, uma vez que a vida é uma COLCHA DE RETALHOS e nela diferentes coisas podem acontecer contribuindo para nosso crescimento, mesmo que o amadurecimento seja por meio da DOR.

Achei estranho o fato de aquelas senhoras quererem retirar suas MARCAS por meio de cirurgias estéticas. É como se estivessem retirando também parte dos momentos que MARCARAM suas vidas. Obviamente sei que este é um procedimento externo e que o interior daquelas mulheres pode continuar INTACTO mesmo após 50 cirurgias. Mas me chocou o fato de ser tão natural e comum tornar PSEUDO-INVISÍVEIS AS MARCAS QUE O CORAÇÃO NUNCA ESCONDERÁ, MESMO QUE TENTEMOS CAMUFLÁ-LAS...


Escrito por Érica Neiva às 23h16
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05/11/2009

 
 

Dias distantes...

Há algum tempo não escrevo por aqui... Minhas palavras parecem intransponíveis, talvez estagnadas num lugar desconhecido. Às vezes tento gritar, achá-las, mas o esforço parece inútil.

No post anterior recebi um comentário muito gentil da Ana Maria perguntando se eu não tinha escrito mais... Na verdade, Ana, parece que os meus pensamentos estão estéreis. Sinto a angústia de quem precisa ultrapassar o próprio mundo, mas a janela encontra-se fechada.

Quem sabe o ensaio destas palavras me faça transpor a sombra perplexa do meu corpo nos finais de tarde...

Obrigada pelo comentário Ana, pela voz que soou amiga e carinhosa num momento em que as minhas palavras são quase mudas. Mas, como o tempo é o vento que toca o meu rosto e me faz sentir viva, se ainda houver algo em mim para ser dito, cedo ou tarde irá ecoar como uma música leve e suave, ou quem sabe turva e mórbida...


Escrito por Érica Neiva às 23h10
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25/07/2009

Simples...


Foto da exposição Amor e Solidariedade - Retrospectiva de Abelardo da Hora

Era quase uma mulher feliz...
Quase uma folha que ao vento titubeava, duvidando da própria existência.
Um pedaço de papel em branco vivendo a quarentena da falta de palavras.

No fundo apenas uma mulher buscando SER,
Desejando a esperança dos dias vazios,
Os sonhos dos momentos inusitados.

O silêncio apenas a força da voz latente
Que deixa o coração se divertir no blanço da VIDA.

Além desse universo, existem outros tantos...
Olhares mudos, gestos doces e gentis.

Quero apenas acordar e sentir que outros mundos ficaram em mim.


Escrito por Érica Neiva às 00h28
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24/11/2008

Doce lembrança...


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photos/life-color-red/red-lanterns-evans.html

Não deixei o seu vulto partir...

Vivo os meus dias, mas você, muitas vezes, chega sorrateiramente. Quando me dou conta as cenas vividas e recriadas pelo tempo e pela imaginação vêm à tona.

Gosto de me lembrar de você simplesmente pelo fato de saber que algo bom aconteceu.

Estou aqui envelhecendo, e não posso compartilhar as sensações estranhas e surreais que batem à minha janela. Agora mesmo passou um homem catando os restos do lixo da coleta que fica em frente ao meu apartamento. Até que ponto a solidão dele se assemelha à minha?

É Luzia... Você partiu e eu estou aqui... Às vezes tão boba e triste; outras, determinada e sonhadora...

Em muitos instantes, preciso me transportar à tua fazenda e te imaginar ao meu lado! Tão doce, forte e triste... Uma parte de mim não pelo sangue, mas por um sentimento que a morte não destrói.

Continuo a remexer nas nossas lembranças. Sempre clamando que você me envie fagulhas de luzes, resquícios de paz...


Escrito por Érica Neiva às 00h16
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20/10/2008

Um instante mudo...


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photo-of-the-day/reflections-sunset-taylor.html

Há dias em que buscamos alguma resposta, ou pelo menos uma frase exata ou salvadora.

Andamos... Olhamos para o céu, ruas, pessoas, carros... Mas, nada virá.

Certos dias existem para não ser compreendidos.

A noite já chegou e não quero pensar muito.

Apenas sentir que há várias VIDAS...


Escrito por Érica Neiva às 19h35
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15/10/2008

A janela além dos meus olhos...


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photos/life-color-red/red-lipstick-1026303.html

A inquietude atravessa todos os obstáculos possíveis. Possui forma, cor, cheiro... E a nítida certeza de que a vida é o retrato do incerto, é a perseguição pelo impossível. Talvez isso seja o choque que nos eletriza e, ao mesmo tempo, deixa-nos perplexos diante do que seria VIVER...

Os conceitos, preceitos, definições transformam-se em NADA, no VAZIO que alimenta a minha irracionalidade, no despropósito que me leva a seguir...

Nem feliz nem triste... APENAS...

A noite aos poucos toma o cenário em frente a minha janela... Talvez no ponto de ônibus próximo, as pessoas busquem ver algo além de um simples letreiro que indique os sues destinos de volta pra casa. Talvez seus olhos queiram enxergar respostas que nunca virão.

O céu de Brasília escurece. Sinto falta dos que estão longe...

Serei uma eterna "metamorfose ambulante"...


Escrito por Érica Neiva às 18h25
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08/10/2008

Sorrio de mim... Esvai-se o que penso saber


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photo-of-the-day/climbers-ertale-volcano-peter.html

As mãos  comprimem-se, tocam o rosto, olham no espelho...
Vêem algo mutante, disforme, distante... Enxergam uma Vida que tem a dinâmica de tantas outas vidas...
São problemas, tristezas, desventuras, vazios, imprecisões...

O corpo e o espírito formam-se com todas as Coisas. Não dá pra definir a essência de que é feita o meu Coração.
Mas, adoro o Mistério.
Desafia-me o Segredo de olhos inquietos e distantes.
Provoca-me um corpo que caminha sem nenhuma direção pré-determinada.
Gosto daquilo que ainda não É.

Amo o que soa Estranho...

E assim não tenho Nome, Endereço, Documentos...
A Felicidade impregna um Ser que não sabe Quem é...

E agora o Vento chego tímido...
Vejo o verde das plantas na janela.
O meu sorriso é quase um olho semi aberto, ciente da aberrante contradição que Sou...
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Escrito por Érica Neiva às 23h42
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11/09/2008

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http://photography.nationalgeographic.com/photography/photo-of-the-day/child-sacrifice-stenzel.html

Quero sentir a última luz do Sol no meu rosto. Busco pedaços de um arco-íris... As minhas palavras tolas não conseguem completar a frase que se segue. Realmente apenas quero me lançar na incompletude do Mundo.

Sou um astronômico vazio a refletir sobre uma grandiosidade estranha... A Vida é o mistério sobre o qual me debruço. Ela traz-me a meteórica e infundada Felicidade que paira num Céu costurado por estrelas tão familiares.

Apenas sou um vulto... Uma sombra que vaga em ruas, estradas, casas...

Dou mais um passo e tenho a sensação de que o minuto que passou me leva a uma plenitude imperfeita...

Quero apenas a imagem de um pássaro que simplesmente VIVE...


Escrito por Érica Neiva às 00h18
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24/07/2008

Apenas...


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photo-of-the-day/matador-bull-motion-allard.html

E a vida corre...

Ela não tem pena

Não tem dó...

Pode também não ter cor.

E ainda assim divago sobre a essência que não consigo transpor...

Palavra opaca,

Letras distantes

E a angústia tão próxima...

Mergulho no meu universo

Sou a mesma com uma nova roupagem...

Meu cheiro exala a desesperança dos aflitos.


Escrito por Érica Neiva às 21h43
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17/06/2008

Fragmentos


http://photography.nationalgeographic.com/photography/photos/best-pod-exquisite-earth/lake-toba_pod_image.html

Tentei pegar um pedaço de céu...

Romper os limites do tempo.

 

Penso...

Tudo se perde num infindo horizonte...

 

Reflito mais um pouco

O TUDO é um quase NADA.

 

A vida perde-se em momentos que se foram

A mão deixa escapar o que passou

E não consegue alcançar o instante próximo

 

O momento é apenas um pensamento curto

 

O relógio do tempo bate por uma esperança que se evapora

Pouco a pouco


Escrito por Érica Neiva às 21h57
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29/05/2008

Escondo-me num CÉU quase perfeito...


http://photography.nationalgeographic.com/photography/enlarge/climber-silhouette-photography.html

Quero preencher uma lacuna que não tem fim...

Nada que faça vai minimizar o silêncio e a ansiedade que carrego. Mostro-me na vã tentativa de uma salvação que não virá... Alimento-me da ilusão de que as minhas inócuas palavras possam tocar o coração de alguém... Alguém que não precisa ter um documento de identificação, ou mesmo um trabalho ou moradia fixos. Esse alguém precisa apenas SONHAR, suspirar e ser tocado pelas coisas mais simples e singelas que a vida oferece.

Na verdade, eu desejo apenas um pedaço de CÉU... Como queria que porções de céus fossem loteadas e a mim coubesse uma pequenina parte.

 

Sabe... Quando caminho do ponto de ônibus para o meu trabalho recebo um céu estonteantemente azul na minha cabeça. Às vezes me falta o fôlego e tento sugar toda a energia mágica que ele emana. Naquele breve instante, pareço perder-me e quero apenas me sentir tomada por um sentimento irracional e fugaz...

 

Logo depois desço as escadas que me levam ao meu ganha pão, mas sei que, no dia seguinte me embriagarei de CÉU...

 

A minha vida é quase uma noite mal dormida...


Escrito por Érica Neiva às 01h02
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13/12/2007

P A L A V R A S.......................

http://photography.nationalgeographic.com/photography/photos/digital-photography-tips/dew-outline-spiderweb-photography.html

Não sei como falar da palavra que martela a minha cabeça como um eco... Como uma mistura de sons, cores, texturas... SENTIMENTOS.

 

Hoje peguei um ônibus, ao voltar do trabalho, e senti-me totalmente estranha... Como se um novo sentido aflorasse. Como se minha capacidade de percepção das coisas sofresse um acréscimo. Uma sensação de mergulhar intensamente nos mistérios que muitas vezes não podem ser ditos.

 

São sentimentos abstraídos do rosto cansado de um trabalhador que cochila no ônibus a caminho de casa. De um jovem que conversa com o colega ao lado de maneira empolgante, demonstrando experimentar o processo de descoberta do mundo...

É olhar para um cobrador mal humorado e pensar nos mais torpes ou sérios motivos que o levam a se portar daquela forma...

Observar o motorista que passa no carro ao lado, ouvindo uma música numa intensidade ensurdecedora. Como se quisesse fugir de algo...

 

Quanta pretensão dessa mísera narradora! Talvez ela mesma esteja buscando um novo território. Um novo espaço para falar de histórias, ou mesmo para permitir a mudez necessária...

 

Quero apenas penetrar no universo de coisas a serem contadas, exteriorizadas... É o desejo de ter uma intimidade tão pura e brusca com o mundo das abstrações,levando-me à exaustão de um anseio impossível de ser preenchido...

 

Talvez esteja a dizer bobagens... Não sei se vocês compreendem um pouco do meu quase desabafo...

Mas isso me trouxe uma inquietude mágica, porque não dizer MILAGROSA.

 

O milagre pode ser um redemoinho a fazer voltas e a me deixar mais próxima da VIDA... E a vida pode ser falar de MIM... Pode ser OUSAR falar do OUTRO. Falar o que penso saber, ou não...

Minha compreensão pode ser pretensiosa, vã, vaga, imprecisa, audaciosa.

 

Nossa... Minha compreensão pode ser extremamente BOBA, mas é Ela que me satisfaz. É Ela que me deixa quase próxima do inimaginável, do indizível... É Ela que traz RAZÃO para o dia-a-dia de uma pessoa comum, uma pessoa como qualquer outra...

 

Uma pessoa com SONHOS, com pensamentos que vêm como um turbilhão; mas também com um silêncio que beira o SAGRADO, que devora qualquer vestígio de corações que queiram se mostrar...

 

Não sei se queria dizer exatamente ISSO...

 

Mas sinto que meu coração se prepara para um mundo de PALAVRAS que sorriem. Elas sorriem tão timidamente que me fazem ficar ainda mais apaixonada...

 

Um dia serei somente a sombra dessas palavras. E nesse dia talvez conquistarei a mais SACRA das imperfeições.

(Dedico este texto a Camy)


Escrito por Érica Neiva às 22h51
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20/10/2007

Vida que se transforma...

http://photography.nationalgeographic.com/photography/photo-of-the-day/palm-trees-stars.html

Não sei de que cor é a rua

Não sei onde se esconde a lua...

Talvez não saiba de tantas coisas

Vejo o mundo apenas por uma fresta...

 

Tudo é amplo, inexato

É estranho e intrigante observarmos a vida...

 

Vejo o sol avermelhado pondo-se

E meus tumultuados pensamentos perdem-se no NADA...

Vagam um pouco perdidos

Sabem das incertezas e surpresas que o amanhã nos traz

 

Ancoro num porto ainda oscilante,

Mas que aos poucos toma forma

Adquire textura, cor e sentimentos

 

Amanhã preciso acordar muito cedo

Durmo um longo e contínuo sono

E quando percebo o despertador toca

Não dá nem para dormir mais cinco minutos

 

Levanto e num gesto quase militar

Ponho-me a executar as pequenas ações de mais um dia...

Sorrio e saio pela rua ainda um pouco escura.

 

Ao entrar no ônibus, tento fechar os olhos

Para cochilar mais um pouco.

Mas, a vida me chama...

Do lado de fora, pessoas atuam

No cenário de uma suposta existência


Escrito por Érica Neiva às 20h10
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